Aos Otários dessa Nação

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Embora seja um valor defendido pela maioria das sociedades e vertentes religiosas, a honestidade recebe um tom até jocoso no Brasil, visto a distância que tal modelo de comportamento tem das situações que cercam nosso cotidiano. Diferente de outros lugares onde a corrupção é motivo de vergonha, nesse lado de cá do planeta, acredito que todos já vimos alguém contar vantagens que obteve ao pagar propina ao policial, sonegar impostos, colar na prova, dentre outras inúmeras atitudes deploráveis que muitos só faltam pedir uma medalha e uma plaquinha em praça pública pela façanha.

Como bom otimista que sou, acredito que essas atitudes não sejam regra para a sociedade brasileira, e que uma maior parcela da população seja feita por pessoas que estejam trabalhando duro e não possuem tempo para ficar em rodas sociais falando besteira, a fama acaba sendo feita por uma minoria que gosta de fazer muito barulho. Eu preciso acreditar nisso para poder viver com um mínimo de dor de cabeça.

No mais, me solidarizo com todos aqueles que já foram indagados com desconfiança sobre a validade de sua honestidade e sentiram vergonha de afirmar o seu posicionamento, por saber que será taxado como “otário” ou “demagogo”.

O Estereótipo Corporativo

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Apesar de viver aqui a quase duas décadas, não consegui entender completamente as mais estranhas peculiaridades do povo brasileiro. Dentre essas, está a repulsa (não arrumei termo melhor) ao empresariado, é difícil ser dono do seu próprio negócio nesse país e não ser olhado com desconfiança, vez ou outra, pelas demais classes, como se o sucesso estivesse restrito apenas a corruptos e inescrupulosos. 

Se não bastasse, até os filhos dessas pessoas muitas vezes recebem um estigma que não lhe cabe. Por meu pai ser empresário, sou obrigado a ouvir piadinhas do tipo “sua vida tá feita”; isso é muito chato, quem me conhece sabe o quanto eu estudo, busco me informar e conseguir as coisas por méritos próprios, até por que tenho consciência de que esse “sua vida tá feita” só possui um mínimo de lógica na cabeça de quem o diz.

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FDS em Vegas ou Cayman?

Quando um aluno chega para o professor e diz que pretender ser médico, certamente ouve que é muito difícil, mas com bastante esforço consegue. Agora vá dizer que quer ser empresário… Se receber um boa sorte é por que está em um dia bom, muitos se limitam a somente dar uma risadinha esnobe.

Talvez por essa razão, sejam poucos os jovens (que eu conheço) que desejam seguir o caminho do empreendedorismo, as exceções são justamente aqueles que possuem algum caso de sucesso na família, por que esses sabem que o mundo corporativo não é loteria, nem muito menos crime organizado, é habilidade, como toda profissão.

P.S: Não queria explicar que o jato é só de gozação, mas sei que vai ter gente falando besteira depois.

A Chave da Cadeia

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Yesterday

All my troubles seemed so far away

Ontem completei 18 anos, não ganhei carro, mas já posso ver o sol nascer quadrado.

Nunca fui muito ligado em datas comemorativas, sempre considerei como um dia qualquer com alguns eventos mais interessantes (ou não) que o de costume, no entanto, esse aniversário eu aguardei com uma curiosidade extra. Afinal, não é todo dia que você ganha a possibilidade de ser estuprado em um presídio.

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Apesar das brincadeiras sobre a maioridade penal, esse foi um dos pontos que refleti nas últimas semanas. Quem me conhece um pouco, sabe que sempre tive personalidade expressiva e nunca gostei de meios termos, característica essa que já me trouxe complicações jurídicas até com políticos, por dizer o que pensava, inconsequentemente, na internet. Sem o colete da menoridade, outro deslize como aquele pode me causar sérias dores de cabeça, bolso e alma.

Tudo isso pode parecer muito óbvio, mas o autocontrole que vim treinando mudou bastante a minha maneira de pensar e agir diante o mundo, acredito que nunca me transformei tanto quanto nesse período, desde os planos para a carreira até o posicionamento em situações mais pessoais.

Quem já passou por essa transição sabe, é extremamente gostoso se deparar com algo que lhe causava estresse, incertezas, medos e de repente conseguir encarar tudo de maneira clara, aquela sensação de “Poxa, vinguei!”.

Ainda possuo muitas falhas significativas, mas ao me comparar com as perspectivas que muitos já tiveram sobre mim, vejo que consegui me tornar um “adulto” sólido, promissor e motivo de orgulho, pelo menos para mim mesmo.

P.S.: Muito obrigado a todos os amigos, familiares e pessoas simpáticas da terra que dedicaram 1 minutinho do seu domingo para me desejar coisas positivas.

 

A culpa é das estrelas

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Nesse ciclo de transição, que é o vestibular, geralmente muitos decidem acordar e perceber que a vida que terão depende muito das decisões tomadas agora. Pra quem não veio se preparando para isso, o desespero é iminente.

Na tentativa de ser salvo, a pessoa culpa o governo, as provas, professores, família, direção do vento… Enfim, qualquer coisa que possa despir o cidadão da responsabilidade pelo próprio fracasso. Tal atitude poderia ser somente algo lamentável e desprezível no nosso cotidiano, mas devemos levar em consideração que essa é uma característica social bem enraizada, principalmente na classe média, e os efeitos se proliferam como um câncer em todo o sistema socioeconômico.

A cultura do puxadinho e da gambiarra, onera e muito o desenvolvimento do país, precisamos ser mais meritocráticos, em termos mais claros, “dar a Czar o que é de Czar”. Somos um povo criativo e com um potencial gigantesco, não podemos nos sujeitar a condição de coitadinhos.