Sobre o ENEM 2013

Como disse no outro post, a edição 2013 do ENEM foi um tanto interessante, pra não dizer polêmica. Boa parte do buzz gerado foi pela elevação do grau de dificuldade da prova, que até pouco tempo era conhecida e criticada pelo seu carácter de valorizar mais o raciocínio que o domínio do conteúdo em si; outro ponto que levantou debates foi o tema da redação, que a primeira vista parece ser simples, no entanto, abre brechas para ambiguidades.

Apesar da aprofundação em alguns assuntos, o ENEM mantem até essa edição o mesmo estilo livre das famosas “decorebas”, pegadinhas e conteúdos ultraespecializados. A tomada dessa nova perspectiva exige que a maioria das escolas/cursinhos e estudantes revejam suas metodologias simplistas, o que a longo prazo pode gerar uma deseducação generalizada (novamente, assunto para outro post). Portanto, a postura adotada pelo MEC não pode ser alvo de críticas quanto a dificuldade, somente é preocupante a não abordagem de conteúdos fundamentais para a avaliação e formação dos jovens, como a Era Vargas, Guerras Mundiais, Citologia, dentre outros que quando não foram nem se quer mencionados, acabaram recebendo um tratamento aquém da sua relevância na competência em questão.

Eu sempre digo que o tema da redação deve ser a última das preocupações dos candidatos, até porquê os temas são sempre bem genéricos e qualquer pessoa que atualiza-se com certa regularidade vai ter argumentos para usar. O bendito tema desse ano foi “Efeitos da Implementação da Lei Seca” (Aí, quer algo mais genérico que isso?), que o que teve de simples, teve de polêmico, principalmente devido aos “especialistas” que minutos após a prova foram à internet divulgar análises pouco trabalhadas, o que já é praxe em todos esses anos. A bola da vez foi uma possível indução ao erro que o tema poderia ter favorecido, já que na visão de alguns, falar mal da Lei Seca e sugerir alternativas seria considerado uma fuga ao tema. Quem não tá mais nessa vibe de vestibular, talvez não tenha acompanhado, mas o efeito foi apocalíptico, o que teve de gente entrando em parafusos não está no gibi.

Segue algumas cenas desse episódio:

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Bom, mas deixem-me consertar algumas desinformações. Primeiro, o edital diz que o tipo de texto a ser produzido é dissertativo argumentativo e que uma proposta de intervenção é obrigatória, logo, a tal “fessora” errou feio ao dizer que o aluno não poderia apontar as ineficiências da Lei Seca em atingir seu objetivo. Há também quem diga que o tema não é cabível de intervenção, o que também não pode ser verdade, porque a lei existe para reduzir o número de acidentes de trânsito que envolvem álcool e isso ainda não está solucionado, o que abre ao candidato a oportunidade de preencher as brechas deixadas pela lei. Portanto, a redação não traz grandes novidades em relação aos anos anteriores.

Para alívio dos desesperados, como as pontuações são dadas por desvio padrão (http://bit.ly/1djaT5m) e como a maioria errou mais questões, há grandes chances de você obter uma nota razoavelmente boa sem precisar ter acertado horrores. Não espere milagres, mas aguarde um pouquinho mais antes de se matar.

Um cheiro e um queijo, tchau!

 

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